Os poucos jovens que sobram em Chaves estão cheios de visões e ideias, tanto para as decisões a tomar para criar um futuro mais inovador aqui, como para ações para abrir a comunidade e torná-la mais atractiva para a permanência dos jovens, mas têm muita dificuldade em participar e fazer-se ouvir, pois para o fazer têm sempre de ultrapassar as mesmas barreiras: Primeiro, a apatia e o desinteresse dos outros jovens á sua volta, que cresceram numa geração resignada, sem sentido de iniciativa, com pouco espírito crítico, muito baixa consciência cívica e sendo muito difíceis de mobilizar e estimular para a acção; segundo, a falta de oportunidades da nossa região, que sempre foi política e geograficamente isolada do resto do país, não tem emprego, não tem oferta social e cultural, poucos movimentos cívicos a seguir e nada que os inspire de facto a ficar e a construir o seu futuro aqui; terceiro, a falta de apoio aos jovens, pois aqui não têm ninguém para orientá-los, poucas entidades juvenis, nenhuma informação sobre programas para se envolver e nenhuma política de juventude activa no conselho; mas principalmente, o que mais os puxa para baixo é nossa comunidade opressiva que constantemente os desacredita, não leva nenhuma de suas ideias e ações a sério, franze o sobrolho às suas opiniões e está cheia de estereótipos em relação à juventude, não mostrando esperança nesta nova geração, limitando-se a julgar e criticar tudo o que eles fazem, dizendo-lhes para esquecer essas ideias e sair da cidade se quiserem ter um futuro. Apesar de ser visto como um problema local, este problema é comum em toda a Europa, com os jovens a terem cada vez mais dificuldade em construir o seu espaço nas nossas sociedades envelhecidas, desconhecendo o seu papel cívico e democrático e tendo uma afluência muito baixa nas eleições europeias. Isso leva a uma geração que não está envolvida na decisão do seu próprio futuro, não tem consciência política e está muito exposta à nova ameaça populista e à construção de visões e ideais extremistas. No papel de único grupo de jovens activos na região, sentimos que devemos agir sobre este assunto, reunindo jovens de diferentes realidades, mas que sofrem os mesmos obstáculos e têm a mesma vontade de mudar e criar o seu próprio espaço na sociedade local, promovendo a sua partilha de boas práticas e a criação conjunta de ideias e estratégias para abrir suas comunidades e mobilizar os outros jovens para os seus planos. Assim, eram objectivos para este projeto: -Estimular uma valorização dos jovens e trazer uma nova atenção e credibilidade às suas vozes e ideias -Promover nos jovens uma estima pelas suas cidades locais e pelo seu futuro nelas -Afirmar a importância da participação juvenil na construção do futuro de sociedades isoladas como a nossa -Contribuir para aumentar a participação dos jovens em eleições, pesquisas e movimentos cívicos -Construir uma rede de jovens com a mesma energia, as mesmas ideias e o mesmo propósito de acção -Aumentar o interesse e a literacia dos jovens em questões políticas e democráticas -Estimular nos jovens um espírito activo e empreendedor de criar as suas próprias oportunidades -Chamar à atenção dos decisores políticos locais sobre a importância de incluir os jovens no processo de decisão -Divulgar todos os programas e entidades de apoio disponíveis para os jovens -Promover e fortalecer o papel dos jovens como agentes de mudança para a sua comunidade -Promover um sentimento de cidadania europeia nas comunidades envolvidas -Chamar a atenção para a falta de políticas de juventude na região -Promover o diálogo intercultural e a quebra de estereótipos e preconceitos