O presente projeto intitulado “More inclusion, More community II” teve como promotor a associação Verde Água, que tem como principal foco de trabalho a promoção da melhoria da qualidade de vida das populações mais vulneráveis e em maior risco social, nomeadamente, crianças e adolescentes e minorias étnicas. Procura desenvolver projetos e dinâmicas no domínio psicossocial, educativo e cultural da cidade de Meda. Os parceiros do projeto foram associações com uma vasta experiência de trabalho na temática de vários países, a saber: Espanha, Chipre, Itália, Estónia e Grécia. O mundo encontra-se atualmente a lidar com uma situação pandémica com graves efeitos a nível pessoal, profissional e social. A pandemia COVID-19 implicou uma emergência ao nível da saúde pública e acentuou as desigualdades sociais das populações mais desfavorecidas, nomeadamente minorias étnicas e refugiados, aumentando as dificuldades de acesso a bens e serviços, assim como, provocando um maior fosso comunicacional e relacional entre as pessoas. Aceder a medicamentos e aos cuidados de saúde básica, ter acesso a bens de primeira necessidade e utilizar meios tecnológicos foram desigualdades que se intensificaram com o surgimento da pandemia COVID-19. A par disso, são enormes os desafios colocados à nossa sociedade num mundo cada vez mais multicultural. A pluralidade de culturas e valores gera tensões e conflitos sociais que se têm vindo a intensificar, nos últimos anos. É certo que se verifica que os numerosos conflitos que acontecem no mundo, têm origem em problemas causados pelo modo como o Estado gere a diversidade no interior das suas fronteiras. As políticas sociais, culturais e educativas adotadas pelos estados em relação aos diferentes povos refletem essas tensões. Só através do multiculturalismo e da plurietnicidade é possível uma integração social democrática. A educação deve ser capaz de dar resposta, tanto à integração nacional como às necessidades das comunidades locais com a sua própria cultura. Só uma educação que tenda para uma cultura civicamente partilhada por todos pode ser capaz de impedir que as diferenças continuem a gerar desigualdades e conflitos. É preciso uma nova resposta aos conflitos emergentes, à violência e à indisciplina que consequentemente advém das relações multiculturais. É necessário firmeza e autoridade para melhorar a convivência, mas também são precisos novos olhos para devolver o olhar àqueles que não tiveram outra direção de forma a melhorarmos um pouco de cada um (Torrego, 2006). (Juan Carlos Torrego - doutor em ciências da educação e diretor de vários projetos no âmbito da mediação) Neste sentido, e atendendo às preocupações e necessidades elencadas e ao foco do nosso trabalho, consideramos que o desenvolvimento da segunda parte do projeto sobre a presente temática foi uma mais valia não só para os promotores, mas para todos os nossos colaboradores, técnicos de juventude e líderes de comunidade através da implementação conjunta de um manual de procedimentos para a integração e acolhimento de minorias desenvolvido no More Inclusion, More Community , que foi útil para o reforço e melhoria das nossas práticas e da potencialização da rede de parceiros locais, nacionais e internacionais. Segundo os dados da ACNUR, em 2018, Portugal acolheu o número mais elevado de refugiados, cerca de 2136, tendo aumentado o número de refugiados de 2015 para 2016 (70,8%), passando de 699 para 1194, tendo no anos seguintes, 2017 e 2018, mantido um crescimento de +35,9% e 31,6%, respectivamente. As cinco nacionalidades numericamente mais expressivas, em 2019, foram a Angola Gâmbia, Guiné-Bissau, Guiné e Venezuela), representando, no seu conjunto, 47,3% do total de pedidos de proteção internacional no país, quando no contexto geral da UE28 essas mesmas nacionalidades não representaram mais de 9,2%. Portugal foi o sexto país da UE28 que mais pessoas recolocou (o país recebeu 4,5% do total de recolocações de Itália e da Grécia); já para o Acordo UE/Turquia 1x1, Portugal concretizou 71% do compromisso que tinha até ao final de 2017, e para o mecanismo de reinstalação UE 50.000, até final de 2019, Portugal executou 40,5% do seu compromisso. (dados do ASILO 2020) O Município da Guarda reconhece a necessidade e validade do trabalho no âmbito da integração de minorias e refugiados, tendo proposto criar o projeto LAR, “uma iniciativa de inclusão social de segunda linha, para refugiados e migrantes acolhidos pelo nosso país, assente num modelo escalável, naquela que é a contribuição do país para uma das maiores crises humanitárias de que há registo” (http://www.larproject.com/pt#donate). Pretende o acompanhamento e integração social de 4 famílias de refugiados e migrantes numa aldeia do distrito da Guarda, através da agricultura e promoção do meio rural.