Tendo a nossa organização como objetivo o trabalho com e para jovens no que respeita à promoção e defesa dos seus interesses há muito que temos vindo a trabalhar a temática do recurso ao digital no interior. O interior é tido, via de regra, como um espaço isolado, de difícil acesso, carregado de assimetrias, despojado de interesse, de dinâmica e de oportunidades. Ser jovem no interior tem sido e ainda é para muitos dos jovens uma fragilidade. Num mundo cada vez mais global, onde a informação circula a uma velocidade nunca antes vista e onde o acesso à mesma se faz com grande facilidade carregam-se também o acentuar das assimetrias, porque as coloca a descoberto, trazendo-as aos ecrãs dos nossos televisores, dos nossos computadores mas também e sobretudo, atualmente, aos ecrãs dos nossos telemóveis. Essa constatação de uma vida mais veloz, de uma maior amplitude e diversidade de oportunidades reforça um sentimento nos jovens do interior da necessidade de construírem as suas próprias oportunidades, sobretudo noutros ambientes. Estes fatores, acabam cada vez mais por reforçar o movimento interior-litoral. Por isso, hoje como nunca se acentuam assimetrias e hoje como nunca a desertificação do interior é uma temida realidade. Sentimos que é vital ao equilíbrio do nosso território e à preservação das nossas tradições e cultura, que tudo seja feito para fixar as populações contrariando a tendência acentuada de abandono do território. Analisando os dados disponibilizados pelo INE – Instituto Nacional de Estatística a desertificação do interior é cada vez mais gritante é alarmante, destacando apenas alguns dados relativos a Viseu e, em particular, a São João da Pesqueira observa-se que: O distrito de Viseu, de 1981 a 2011 1) perdeu cerca de 46.000 habitantes; 2) a população com idade igual ou inferior a 14 anos reduzi para mais de metade (de 116.519 para 52.486); 3) a população com idade entre os 15 e os 24 anos reduziu em mais de 30.000 habitantes (de 71.410 para 41.170); E no que respeita ao concelho de São João da Pesqueira verifica-se que entre 1981 a 2011 1) reduziu em mais de 2.300 habitantes (mais grave ainda de comparado com os 15.124 habitantes registados em 1960); 2) a população com idade igual ou inferior a 14 anos reduzi para mais de metade (de 2.891 para 1.059) – a um ritmo de cerca de 500 habitantes por cada 10 anos; 3) a população com idade entre os 15 e os 24 anos reduziu para cerca de metade dos habitantes (de 1.791 para 936). Estes números podem ser indiferentes a muita gente, mas seguramente não nos podem ser indiferentes a nós, jovens da pesqueira, não podemos ficar indiferentes ao ritmo e à tendência irreversível de desertificação e envelhecimento da nossa população. Temos de fazer algo, este projeto pretende ser disso um exemplo, queremos afirmar que: Há vida na Pesqueira, vale a pena viver na Pesqueira. Partimos para este projeto centrados em 3 propósitos: 1) Valorizar e capacitar o papel dos nossos jovens; 2) Potenciar a capacidade de intervenção na sociedade e nas comunidades locais; 3) Potenciar a criação de projetos estruturados, capazes de gerar novas oportunidades e novos estímulos à fixação da população jovem residente no interior, através do uso do virtual (digital) Não deixa de ser bastante relevante como afirmação deste desequilíbrio territorial verificar que custa mais viajar entre São João da Pesqueira e o Porto, do que entre o Porto e Londres, Madrid, Roma, Paris ou Berlim. Esta problemática não nos preocupa apenas a nós, os jovens de outros países estão a viver o mesmo, sentimos isso no contacto com outras organizações. Essa realidade foi também uma das fortes razões que veio a reforçar o nosso desejo de trabalhar a temática através de um programa de mobilidade, ao sentirmos que o problema é global e que pode ser encarado como tal na procura de soluções ao mesmo. Queremos reforçar perante os nossos jovens e perante a nossa comunidade que: 1) Há valor na Pesqueira; 2) Que a Pesqueira e as suas organizações juvenis têm condições, capacidade e competência para gerir e organizar eventos/projetos internacionais válidos. Conhecemos as prioridades da AN e entendemos a preocupação que as mesmas apresentam para com a nossa temática, o que reforça mais a nossa motivação e vontade em trabalhar as mesmas neste contexto de mobilidade europeia. Conseguimos evidenciar que a temática é uma problemática de amplitude europeia e que como tal nos merece um olhar global, a procura de soluções conjuntas e a partilha de boas práticas. Assim, desenvolvemos um projeto que estando centrado nos jovens se propõe a reforçar o seu papel como principais beneficiários do bom uso do digital , dotados de competências e ferramentas para desenvolverem projetos e ações mobilizadoras e com impacto direto nas suas comunidades e territórios, que fossem faróis para outras localidades onde o mesmo problema se estivesse a evidenciar, assim conseguimos que usem o digital como uma ferramenta capaz de implementar projeto