1. Problema social e necessidades Na Europa, 1 em cada 4 jovens estão em risco de pobreza e exclusão social (Eurostat, 2021), fenómeno que decorre de desafios como: globalização, alterações climáticas, mudanças tecnológicas, tendências demográficas e socioeconómicas, populismo, discriminação, notícias falsas, entre outros (Estratégia UE para a Juventude 2019-2027). Com a pandemia COVID-19, os conflitos armados e a crise económica, estes desafios têm sido exacerbados e os jovens têm vindo a enfrentar dificuldades crescentes. Continua, portanto, a existir um número muito elevado de jovens que se encontram em situação de vulnerabilidade social (jovens com menos oportunidades – MO), pelo que a intervenção junto destes grupos é urgente. Não podemos continuar a permitir que os jovens tenham o seu futuro condicionado, que a transição para a vida adulta continue a ser tão difícil, nem que os seus talentos continuem a ser desperdiçados. Para que a sociedade possa ajudar os jovens no seu processo de desenvolvimento e de superação dos desafios que enfrentam, conduzindo ao seu sucesso, a Educação assume um papel fundamental. Atualmente, quando falamos de Educação, já não falamos apenas da Educação Formal – aquela que decorre nos sistemas de ensino e que ainda tende a centrar-se quase exclusivamente nos saberes académicos. Pelo contrário, falamos também da Educação Informal, aquela que decorre involuntariamente a partir das relações, das interações e das ações diárias, e da Educação Não Formal (ENF), aquela que é voluntária, estruturada, centrada no participante e que foca o desenvolvimento de aprendizagens e competências. Se queremos que os jovens deixem de estar em situações de exclusão social, é necessário investirmos no seu crescimento e desenvolvimento, o que é possível pelo investimento em metodologias de intervenção eficazes e que vão ao encontro dos seus interesses, motivando-os a participar, a interagir, a serem autónomos e a desenvolverem-se. Em todo este processo, o setor da juventude assume um papel fundamental. Perante este cenário, detetamos a necessidade de oferecer às organizações ativas no setor da juventude e aos seus técnicos de juventude (TJ) a oportunidade de se reunirem com os seus pares para debaterem o futuro da Educação dos jovens. O mundo está em constante mutação, assim como os desafios dos jovens, e por isso é fundamental que aqueles que intervém com os jovens tenham a capacidade de se adaptar, de inovar e de melhorar continuamente o trabalho que desenvolvem. Existe, por isso, a necessidade de pensarem conjuntamente estratégias de intervenção com os jovens, que sejam de qualidade, e que permitam dar resposta aos desafios crescentes que os jovens enfrentam, que se ajustem às suas necessidades, que sejam inovadoras, que sejam dinâmicas e que assentem sobretudo numa lógica prática, não se focando apenas em vertentes teóricas centradas em conhecimentos. 2. Solução É, com base no reconhecimento destas necessidades e como forma de resposta às problemáticas apresentadas, que surge o ARTISTIC CO-CREATION. Neste projeto juntamos organizações e TJ de 6 países europeus com vista a incentivar a sua aprendizagem a partir da pluralidade de olhares e de experiências. Através de um conjunto de atividades virtuais e de uma mobilidade física, criamos espaços de debate, de partilha, de experimentação, de reflexão, de trabalho comum e de capacitação, para que os TJ tivessem a oportunidade de (re)conhecer novos métodos, instrumentos e formas de trabalho com os jovens. Para estarmos devidamente capacitados a apoiar os jovens no seu processo de questionamento e reflexão sobre o mundo onde vivem, no seu processo de desenvolvimento de competências e no seu processo de encontrarem o seu lugar no mundo, exploramos especificamente o potencial da ENF e das práticas artísticas (com foco nos instrumentos de sociodrama, mas não só) no desenvolvimento dos jovens. 3. Objetivos específicos - Promover o desenvolvimento de competências-chave e competências profissionais nos TJ; - Explorar as potencialidades da metodologia da ENF e das práticas artísticas no desenvolvimento dos jovens (para que os TJ estejam aptos a intervir com os jovens a partir das mesmas); - Apoiar a criação de uma rede de organizações que valoriza e que impulsiona a exploração das práticas artísticas não formais nos processos de capacitação no setor da juventude; - Contribuir para a qualidade, o reconhecimento e a validação do trabalho que é desenvolvido no setor da juventude.