A Associação Juventude de Vila Fonche é uma IPSS que trabalha há mais de 40 anos nas áreas da Infância e Juventude. A organização tem um grande impacto a nível local, sendo uma das principais referências no concelho de Arcos de Valdevez e no distrito de Viana do Castelo no que concerne ao trabalho com jovens. Temos uma grande experiência de trabalho com e para crianças e jovens a nível local mas também no âmbito juvenil internacional através da coordenação e participação em projetos ao abrigo dos programas Erasmus + e Corpo Europeu de Solidariedade. Devido à nossa experiência de trabalho com crianças e jovens em diferentes contextos, temos verificado que o conflito é algo que surge naturalmente em todas as interações sociais, muito devido aos problemas de comunicação que surgem entre as partes envolvidas. O conflito não é algo recente e tem vindo a ser estudado a nível académico e no âmbito da juventude. Cientes da importância que o conflito apresenta neste âmbito, a Comissão Europeia e o Conselho da Europa apoiaram a criação do “T-KIT 12: Youth transforming conflit”, onde é possível perceber as diferentes formas de conflito e são apresentadas estratégias e diferentes abordagens para solucionar situações de conflito. A comunicação é inata ao ser humano e qualquer tipo de comportamento inerente ao ser humano é uma forma de comunicação. É importante que qualquer indivíduo, especialmente aqueles que trabalham com pessoas, entendam que a comunicação é um processo complexo e que deve ser apreendida e, acima de tudo, compreendida porque altera e é adaptada consoante um contexto próprio. A comunicação é ponto central na interação entre pessoas e está presente em todos os contextos da sociedade, quando é mal efetuada pode gerar situações de conflito das mais diversas tipologias e profundidades, podendo ocorrer em diversos contextos: familiar, organizacional e na relação entre pares. As organizações de âmbito juvenil, que trabalham com e para jovens, precisam de prestar especial atenção a esta realidade que pode, eventualmente, afastar jovens de atividades e dinâmicas. Os conflitos, resultantes de uma comunicação mais pobre, podem surgir entre técnicos de juventude, entre estes e os jovens, com as famílias e até com stakeholders, abrangendo todos os campos de ação de cada organização. Esta é uma realidade que temos vindo a observar com mais atenção no nosso trabalho quotidiano na organização e nas nossas interações. Uma das metodologias mais eficazes que temos utilizado para solucionar conflitos é a mediação, técnica que facilita a resolução do conflito na qual as partes, por livre e espontânea vontade, aceitam que uma terceira pessoa e imparcial facilite a comunicação com o fim de ajudar a resolver a situação. É com base nos problemas de comunicação que acontecem no dia-a-dia das organizações que trabalham com e para jovens, e que posteriormente originam situações conflituosas, que surgiu o Curso de Formação "MediArt", que teve como objetivos gerais: - explorar o poder da comunicação e da mediação na prevenção e combate às situações de conflito que as organizações e trabalhadores da juventude enfrentam diariamente; - melhorar a qualidade de trabalho com os jovens a nível local, nacional e internacional, realizado pelos técnicos de juventude e/ou voluntários e pelas próprias organizações; - reforçar e alargar a rede de parceiros. Objetivos específicos: dotar 18 técnicos de juventude e/ou voluntários que trabalham no âmbito juvenil de: . competências de gestão de conflitos, nomeadamente através da aquisição/ desenvolvimento de competências de mediação; . maior capacidade de envolvência ativa na resolução de conflitos que possam surgir no seu trabalho diário, tanto em contexto local como internacional; . ferramentas de comunicação mais inclusivas que permitam o trabalho mais profícuo com jovens com menos oportunidades e com o público-alvo em geral; - refletir como individualmente e em grupo lidamos com as emoções e gerimos situações de conflito; - criar um espaço onde se promova a ligação entre os 18 participantes e a comunidade à Europa e aos valores europeus; - contribuir para a Estratégia Europeia de Formação (ETS) no domínio da Juventude, nomeadamente no desenvolvimento das competências dos trabalhadores de juventude, visando aumentar a qualidade do trabalho desenvolvido pelas organizações parceiras; - fomentar a aprendizagem não formal e informal através da experiência, prática e reflexão pessoal e em grupo; - aumentar a rede internacional de parceiros e, em conjunto, pensar em futuras atividades conjuntas tendo em conta os objetivos de trabalho de cada organização; - dar visibilidade ao Programa Erasmus + e envolver e ligar as novas organizações com pouco ou nenhuma experiência neste tipo de oportunidades disponibilizadas pela Comissão Europeia no âmbito da juventude; - aumentar a visibilidade e projeção das organizações parceiras a nível local, nacional e internacional.