O panorama atual demonstra-nos que vivemos numa era em que crescem as situações de ódio, discriminação, preconceito, racismo, etc.; em que o número de cidadãos europeus em situação de exclusão continua a ser muito elevado (quase 22% da população da UE estava em 2022 em risco de pobreza ou exclusão social - Eurostat); em que os níveis de desemprego na Europa continuam a ser alarmantes, em particular para os jovens (em 12/2022, a taxa de desemprego jovem estava nos 15% na EU – Eurostat), etc. Estes dados revelam a urgência de combatermos estas problemáticas. Reconhecendo os jovens como o motor e o futuro da sociedade, torna-se urgente intervir com este grupo para garantir que têm todas as condições necessárias para que a realidade atual não se continue a reproduzir e que o sucesso pessoal, social, educativo e profissional das próximas gerações seja garantido. Cabe-nos a nós – consórcio e setor da juventude em geral – perceber de que forma podemos contribuir para isto. Partindo desta análise, da bibliografia existente e da nossa experiência no terreno, temos percebido que as competências e aprendizagens que os jovens desenvolvem no âmbito do currículo escolar formal já não são suficientes para garantir que vão prosperar a nível pessoal, social, educativo, profissional, etc. Ao invés, a educação tem-se vindo a atualizar e renovar, e hoje é incentivada a criação de espaços não formais e informais, voluntários, que apoiem a difusão dos valores sociais que norteiam a sociedade, que apoiem o desenvolvimento de competências nos jovens e que apoiem a sua participação ativa na comunidade. Um exemplo muito claro de uma prática que permite isto é o voluntariado (uma forma alternativa de participação). Segundo Marques, o voluntariado “promove a inclusão social e a participação com base na compreensão do indivíduo sobre a solidariedade social e a valorização da vida humana”. Ao mesmo tempo que o voluntariado fomenta valores e que dá aos cidadãos a oportunidade de participarem na construção de um mundo melhor, também permite o desenvolvimento de competências fundamentais para a inclusão. Ainda que existam cada vez mais esforços para envolver os jovens e para os incentivar a participar na sociedade, nomeadamente através das práticas de voluntariado, diferentes estudos e dados estatísticos denunciam que ainda existe alienação por parte de um número considerável de jovens face a estas atividades. Segundo o Eurostat, em 2020, apenas 20% dos jovens adultos europeus (18-24 anos) participaram em atividades de voluntariado (Eurostat), o que nos revela que os jovens parecem não estar a aderir a estas práticas tanto quanto desejável. Por entre vários motivos que podem levar a esta alienação, segundo um estudo conduzido em 2022 pela plataforma de voluntariado Dolt, junto de 1.500 jovens dos 18-25 anos, destacam-se os seguintes: -50% acredita que há um estigma em torno dos jovens que oferecem os seus serviços a boas causas; -Quase um quinto disse que nenhum voluntariado desperta o seu interesse; -Um quarto não sabe por onde começar ou como se envolver. Estas evidências, demonstram, assim, a urgência de colmatarmos necessidades como: -Necessidade de demonstrar aos jovens os benefícios da sua participação no voluntariado; -Necessidade de implementar dinâmicas de voluntariado ajustadas aos interesses dos jovens; -Necessidade de capacitar os jovens para as oportunidades existentes e de apoiar o seu envolvimento nas mesmas. Foi, a partir daqui, que idealizamos e concretizamos o GENESIS. Com este projecto, reunimos jovens de várias nacionalidades europeias, e trabalhamos com eles os valores europeus, o desenvolvimento de competências e a participação cívica, através das práticas de voluntariado intergeracional, enquanto forma de promover a sua inclusão social, educativa e profissional. Tendo em conta os inúmeros benefícios que o voluntariado intergeracional tem para a transformação social, focamo-nos especificamente nesta forma de voluntariado. OBJETIVO GERAL - Apoiar a inclusão social, educativa e profissional dos jovens. OBJECTIVOS ESPECÍFICOS 1) Incentivar a incorporação de valores adjacentes ao Erasmus+ e às práticas de voluntariado, como a solidariedade, justiça, entreajuda, respeito, responsabilidade social e cidadania ativa; 2) Desenvolver competências-chave nos jovens, como trabalho em equipa, liderança, comunicação, empreendedorismo, criatividade, proatividade, networking e autoconhecimento, etc.; 3) Promover a consciencialização dos jovens sobre os benefícios do voluntariado, em particular o intergeracional, para o desenvolvimento pessoal, social, educativo e profissional.